Distimia: diagnóstico e tratamento (3a. ed.)

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1 Distimia – origem e evolução do conceito

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Distimia – origem e evolução do conceito

táki Athanássios Cordás eduardo Wagner Aratangy

De origem grega, o termo “distimia” etimologicamente significa “mal-humorado”.1 O radical grego dys (defeituoso, anormal) associa-se ao sufixo thymia, referindo-se ao timo, órgão linfático torácico, que se acreditava estar associado ao controle do humor. O distímico apresentaria um temperamento inclinado à melancolia, transliteração latina da palavra µελανχολια. Entre os gregos, a melancolia era considerada um problema mental, caracterizado por medo intenso e depressão. Nas palavras de Hipócrates: “se o medo e a tristeza duram muito tempo, tal estado é próprio da melancolia”.1,2

A bile negra, µελαινχολη (melaina khole), um dos quatro humores fundamentais, seria o fator determinante para o surgimento da melancolia.1,3 O temperamento influenciado pela bile negra e predisposto à melancolia recebeu especial atenção de vários filósofos gregos, sendo chamado de temperamento melancólico. Aristóteles acreditava que a bile negra, em doses adequadas, levaria à genialidade, enquanto em excesso levaria à doença. Em alguns personagens homéricos, como Bellerofonte, e em peças de Ésquilo encontramos o sofrimento melancólico em indivíduos de elevada capacidade artística, bem como tendências a solidão, reflexão existencial e autodestruição.

 

2 Emoções, afetividade e humor

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Emoções, afetividade e humor

Ricardo Alberto Moreno

Rodolfo Nunes Campos

Márcio Gerhardt Soeiro de Souza

O organismo humano possui, em seus diferentes órgãos e sistemas biológicos, uma capacidade de reserva que o regula para responder às demandas da vida de forma autônoma. Embora seja grande, essa capacidade de reserva

é limitada, e as demandas podem levar à impossibilidade de correção do desequilíbrio em determinadas circunstâncias, o que é genericamente percebido como estresse. O estresse sinaliza o desequilíbrio e induz o organismo à avaliação de suas causas em nível consciente (por exemplo, por meio da fome ou da sede), promovendo a busca dos fatores necessários para sua correção (no caso, no ambiente externo, comida ou água). Na perspectiva de sobrevivência, a rápida avaliação de sinais do ambiente externo tem sido considerada de extrema importância para a identificação de

Na perspectiva de sobrevivência, potenciais perigos à integridade física, auxia rápida avaliação de sinais do liando a tomada de ações objetivo-orientaambiente externo tem sido condas. Essa forma de sinalização entre o meio siderada de extrema importância para a identificação de poteninterno e o externo é observada desde os priciais perigos à integridade física, mórdios da escala evolutiva, sendo também auxiliando a tomada de ações considerada uma das formas mais primitivas objetivo-orientadas. de comunicação.1

 

3 Diagnóstico e quadro clínico

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Diagnóstico e quadro clínico

Doris hupfeld Moreno

Ricardo Alberto Moreno

Existem diversos tipos de depressão, que se distinguem na intensidade e persistência dos sintomas. Quanto à intensidade, podem ser leves, moderadas ou graves, dependendo do grau de sofrimento emocional e prejuízo funcional que acarretam. Algumas depressões são duradouras e outras acontecem repetidas vezes durante a vida, com intervalos de remissão, em que os pacientes voltam a ficar

A distimia é um tipo de depressão considerado leve e crônico parcial ou totalmente bem. A distimia é um pelo fato de persistir durante tipo de depressão considerado leve e crônipelo menos dois anos. Apesar co pelo fato de persistir durante pelo menos de os sintomas serem de intendois anos. Apesar de os sintomas serem de sidade leve, inicia-se precocemente e compromete de forma intensidade leve, inicia-se precocemente e significativa a vida do indivíduo. compromete de forma significativa a vida do indivíduo. Conforme observado no Capítulo

1, sobre a história da distimia, os estados depressivos crônicos vêm sendo descritos na psiquiatria há séculos, mas até 20 a 25 anos atrás sua classificação e sintomatologia eram controversas, na medida em que a distimia era diagnosticada como neurose ou algum transtorno da personalidade.

 

4 Desfechos físicos, psicológicos e sociais

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Desfechos físicos, psicológicos e sociais

Luis Felipe de Oliveira Costa

Mireia C. Roso

A condição clínica hoje conhecida como distimia é descrita por Kraepelin em indivíduos com temperamento depressivo: pessoas que não encontram completa satisfação no trabalho e na vida pessoal. Pelo contrário, enxergam somente “o lado negativo de tudo”.1

A distimia é um transtorno sério, de

A distimia é um transtorno sério, de modo geral, com uma prevamodo geral, com uma prevalência durante lência durante a vida estimada a vida estimada em 2 a 5%. Caracteriza-se em 2 a 5%. Caracteriza-se por por ser altamente debilitante e associada, ser altamente debilitante e associada, comumente, a comorbidacomumente, a comorbidades psiquiátricas e des psiquiátricas e clínicas.2 clínicas.2

O desfecho de um quadro distímico implica, muitas vezes, alterações no funcionamento social e ocupacional.

Rapaport e colaboradores3 verificaram maior prevalência de indivíduos solteiros e com vida produtiva prejudicada entre os portadores de distimia, sugerindo que essas dificuldades interpessoais e vocacionais podem ser decorrentes de sua sintomatologia.

 

5 Sua relação com outros quadros psiquiátricos

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Moreno, Cordás, Nardi & cols.

COMORBIDADES NA DISTIMIA

Comparadas às depressões não crônicas, as depressões crônicas (o critério temporal de cronicidade é estar sintomático a maior parte dos dias por um período mínimo de dois anos e com prejuízo no funcionamento social ou no trabalho)1 apresentam as seguintes características: início mais precoce, maior número de episódios, maior comorbidade com transtornos do Eixo I (transtornos clínicos) e do Eixo II (transtornos da personalidade), elevados níveis de neuroticismo, introversão e cognições depressivas, maior risco de suicídio e prejuízo funcional, maior adversidade e cuidados parentais mal-adaptativos, bem como elevadas taxas de transtornos

Os pacientes demoram a procudo humor entre os pais (revisado por Angst).2 rar tratamento por entenderem

Os pacientes demoram a procurar tratamento que o transtorno faz parte do seu por entenderem que o transtorno faz parte do

“modo de ser” e não o reconhecem como um problema médico seu “modo de ser” e não o reconhecem como passível de tratamento. um problema médico passível de tratamento.

 

6 Distimia e personalidade

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Distimia e personalidade

Aline Sardinha

Antonio egidio Nardi

Embora os termos temperamento, caráter e personalidade sejam utilizados quase como sinônimos para significar características persistentes e duradouras quanto ao comportamento e ao desempenho psicossocial, cabe lembrar que temperamento está associado a uma tendência genética para a apresentação do humor, enquanto caráter refere-se às atitudes apresentadas em relação ao desenvolvimento, baseadas no sistema de crenças construído pelo indivíduo ao longo da vida. Personalidade, dessa forma, envolve as contribuições genéticas e de desenvolvimento, que se exteriorizam no funcionamento global do indivíduo.

Personalidade pode ser definida como

Personalidade pode ser definida um padrão estável de pensamento, afeto e como um padrão estável de pensamento, afeto e comportamencomportamento que caracteriza um estilo to que caracteriza um estilo de de vida único e individual e um modo de vida único e individual. adaptação, resultante de fatores constitucionais, de desenvolvimento e de experiências sociais. Um traço de personalidade consiste em um atributo estável da personalidade, que pode ser inferido por seu comportamento, mas não diretamente observado. O traço de personalidade refere-se, portanto, a um modo habitual e recorrente de comportamento. O termo traço contrasta com o termo estado, que

 

7 Tratamento farmacológico da distimia

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Tratamento farmacológico da distimia

Marina D. Mochcovitch

Antonio egidio Nardi

Poucos distímicos procuram tratamento com queixas claras e evidentes de alteração de humor. Talvez isso ocorra porque não acreditam que alguns de seus sentimentos sejam fruto de uma condição médica, isto é, uma doença.

Consequentemente, também não acham que os “sintomas” sejam passíveis de tratamento psiquiátrico, procurando, na maioria das vezes, clínicos gerais ou médicos de diferentes especialidades, com queixas de cansaço, pouca energia, alterações de sono e dores difusas e variadas, como, por exemplo, dor de cabeça persistente ou recorrente, dores nas costas, cólicas abdominais, entre outras.1

A distimia é diagnosticada com

A distimia é diagnosticada com pouca pouca frequência e raramente frequência e raramente tratada, o que pode tratada, o que pode dever-se à dever-se à sua recente identificação como sua recente identificação como entidade clínica. entidade clínica. Ou seja, diversos clínicos gerais e psiquiatras ainda não estão suficientemente familiarizados com esse diagnóstico. Pesquisas recentes2-4 mostraram que muitos pacientes que eram diagnosticados como portadores de transtornos da personalidade sofriam, na verdade, de um transtorno crônico do humor. Em função desse conhecimento, um crescente número de distímicos passou a receber tratamentos adequados com diferentes antidepressivos associados à psicoterapia; vários deles, que antes seriam tidos como “refratários”, apresentando remissão completa do quadro.

 

8 Abordagens psicossociais da distimia

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Abordagens psicossociais da distimia

Mireia C. Roso

Luis Felipe de Oliveira Costa

Ligia Montenegro Ito

A importância das abordagens psicossociais no tratamento dos transtornos psiquiátricos já encontra-se bem estabelecida. Nos transtornos do humor e, especificamente, no tratamento da distimia, as dificuldades de aderência do paciente e da família ao tratamento farmacológico, a prevalência de fatores psicológicos e sociais influenciando o curso da doença e seu caráter crônico tornam essas intervenções imprescindíveis.

De maneira geral, a não aderência ao tratamento é resultado da falta de entendimento ou aceitação do diagnóstico. Paciente e familiares, muitas vezes, não entendem o caráter crônico da doença, não aceitam a medicação, não compreendem a necessidade do tratamento contínuo, não identificam sintomas residuais (subsindrômicos) e não estão orientados a prevenir fatores de risco que levam a recaídas constantes.

Os fatores psicológicos e sociais que influenciam o curso da doença estão diretamente relacionados aos prejuízos causados pelos sintomas, que se tornam cada vez mais graves em função da falta de um diagnóstico precoce e da demora em iniciar um tratamento eficaz. São frequentes a perda ou diminuição da vida produtiva e o aumento de conflitos interpessoais, inicialmente decorrentes da sintomatologia depressiva, e que se agravam ao longo do tempo, piorando o curso e a evolução da doença.

 

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